“A relação entre medicina e saúde é difícil de ser avaliada
porque a maioria das estatísticas sobre saúde usa apenas o conceito biomédico
de saúde, definindo-a como ausência de doença. Uma avaliação significativa
envolveria a saúde do indivíduo e a saúde da sociedade; teria que incluir
doenças mentais e patologias sociais. Tal concepção abrangente mostraria que,
embora a medicina tenha contribuído para a eliminação de certas doenças, isso
não restabeleceu necessariamente a saúde. Na concepção holística de doença, a
enfermidade física é apenas uma das numerosas manifestações de um desequilíbrio
básico do organismo. Outras manifestações podem assumir a forma de patologias
psicológicas e sociais; e quando os sintomas de uma enfermidade física são
efetivamente suprimidos por intervenção médica, uma doença pode muito bem
expressar-se de algum outro modo.
Com efeito, as psicopatias e sociopatias tornaram-se agora
importantes problemas de saúde pública. De acordo com algumas pesquisas, cerca
de 25 por cento da população norte-americana é psicologicamente perturbada e
pode ser considerada seriamente deficiente e carente de atenção terapêutica. Ao
mesmo tempo verifica-se um aumento alarmante do alcoolismo, dos crimes
violentos, dos acidentes e suicídios, todos sintomas de saúde social precária.”
* Do livro - O ponto de mutação - Do físico Fritjof Capra

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